Lembra-te de mim, mocinha bonita?
Lembra-te de mim, cheirinho de vida?
Lembra-te de tudo, ou esqueceu até do que é saudade e suas coisas de bom?
Te recorda dos sonhos que te fiz sonhar,
Ou somente daqueles que não te permitiram ir se deitar?
Ainda se lembra da vida que passou pelas tuas mãos,
Ou hoje chora por não a ter nem mais no coração?
Ainda sente o calor do coração que já foi frio,
Ou procura outro calor por querer pouco além do desafio?
E aquele caminho que pra ti eu tracei?
Continua seguindo nesta estrada de flores,
Ou matou a todas por terem sido fruto de tantos amores?
Lembra de tudo que pra ti eu construí,
Ou implodiu a tudo por não me ter mais por aí?
Ainda sente a mão que te levou por aquelas estradas,
Ou vira a face por não se ter, pra mim, como a mais amada?
Porque não procura a direção que, naquele dia, eu te indiquei?
Certamente, lá, em pé, eu estarei.
Numa casa que não sei como surgiu,
Mas que, atualmente, me abriga, sem me exigir sequer um funil.
Poderá me encontrar olhando pela janela.
A procura, quem sabe, de uma nova flor. Quem sabe, de todas a mais nova bela.
Mas porque hoje você não me chega e arrebenta esta janela,
Não me arromba esta porta,
Gritando ter sido sempre, de todas, a única bela?
Não me chega destruindo esta casa, como o Lobo-mau já o fez:
Assoprando. E mostre que aqui só você tem a vez.
A vez da vida. A vez da lida. A vez de tudo.
De tudo que é vez, de tudo que é visto, de tudo que é sentido, de tudo que foi tido.
E se vier, não te esquece daquela flor,
Que em teus cabelos eu coloquei.
Na qual a minha parte se encontra,
Esta que pra ti tanto eu dediquei.
Pode vir pulando. Pode vir gritando. Pode vir sorrindo, ou até chorando.
Pois uma nova casa eu posso construir
E fazer nascer de tudo novamente ali.
E, se um dia ficou feliz por este mimo em teu cabelo,
Deixa que, por ele, nasça um novo jardim de flores e de novas cores,
Em uma nova casa, recanto dos nossos novos amores.
Um comentário:
Muito, muito bonito. Suas palavras me emocionaram...
Bjks.
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