24.5.08

O Mundo anda tão Complicado - Legião Urbana



Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperto o passo por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você.

Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som

Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa
é a chave que sempre esqueço

Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um p'ro outro:
- Estou com sono, vamos dormir!

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você

Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor

Ouvindo: Legião Urbana - O mundo anda tão complicado

21.4.08

Nas pernas de um novo mundo




É difícil acompanhar um mundo, com estas pernas tão pequenas.
Um mundo que dá passos maiores que deveria. E que, a cada um, pisa em mais que um monte:
Um monte de gente, um monte de futuros, um monte de sentimentos e em um monte de montes.

Alguns se agarram em tais pernas e as seguem nesse ritmo de passos largos.
Outros em suas próprias, embora sem ritmo próprio.
E mais outros que buscam um ritmo de qualquer tamanho ou freqüência.
Além daqueles que se permitem ser pisados por elas.

.
.
.

Todos sempre pedem, mesmo quando não sabem o quê.
Pedem a si, pedem a eles. Pedem aqui, ou acolá. Pedem pra ti, e pedem pra Ele.
Enfim sempre pedem ao que acreditam, mesmo quando não sabem no acreditar.

Não me faço diferente - também sou um deles.
E seguia dando passos. Às vezes meus. Às vezes do mundo. Às vezes de ninguém.
- E seguia pedindo.

E ainda continuo pedindo.

Também continuo dando passos.

Mas, agora, dando passos maiores, como Ele.


Ouvindo: David Quinlan - Essência de adoração

12.4.08

Lembra-te de mim?



Lembra-te de mim, mocinha bonita?
Lembra-te de mim, cheirinho de vida?
Lembra-te de tudo, ou esqueceu até do que é saudade e suas coisas de bom?

Te recorda dos sonhos que te fiz sonhar,
Ou somente daqueles que não te permitiram ir se deitar?

Ainda se lembra da vida que passou pelas tuas mãos,
Ou hoje chora por não a ter nem mais no coração?

Ainda sente o calor do coração que já foi frio,
Ou procura outro calor por querer pouco além do desafio?

E aquele caminho que pra ti eu tracei?
Continua seguindo nesta estrada de flores,
Ou matou a todas por terem sido fruto de tantos amores?

Lembra de tudo que pra ti eu construí,
Ou implodiu a tudo por não me ter mais por aí?

Ainda sente a mão que te levou por aquelas estradas,
Ou vira a face por não se ter, pra mim, como a mais amada?

Porque não procura a direção que, naquele dia, eu te indiquei?
Certamente, lá, em pé, eu estarei.
Numa casa que não sei como surgiu,
Mas que, atualmente, me abriga, sem me exigir sequer um funil.
Poderá me encontrar olhando pela janela.
A procura, quem sabe, de uma nova flor. Quem sabe, de todas a mais nova bela.

Mas porque hoje você não me chega e arrebenta esta janela,
Não me arromba esta porta,
Gritando ter sido sempre, de todas, a única bela?
Não me chega destruindo esta casa, como o Lobo-mau já o fez:
Assoprando. E mostre que aqui só você tem a vez.

A vez da vida. A vez da lida. A vez de tudo.
De tudo que é vez, de tudo que é visto, de tudo que é sentido, de tudo que foi tido.

E se vier, não te esquece daquela flor,
Que em teus cabelos eu coloquei.
Na qual a minha parte se encontra,
Esta que pra ti tanto eu dediquei.

Pode vir pulando. Pode vir gritando. Pode vir sorrindo, ou até chorando.
Pois uma nova casa eu posso construir
E fazer nascer de tudo novamente ali.

E, se um dia ficou feliz por este mimo em teu cabelo,
Deixa que, por ele, nasça um novo jardim de flores e de novas cores,
Em uma nova casa, recanto dos nossos novos amores.

29.3.08

Ausência - Vinicius de Moraes



Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Ouvindo: Sonata ao Luar - Beethoven

16.3.08

Traumas - Roberto Carlos / Erasmo Carlos



Meu pai um dia me falou
Pra que eu nunca mentisse

Mas ele também se esqueceu
De me dizer a verdade

Da realidade do mundo
Que eu ia saber

Dos traumas que a gente só sente
Depois de crescer

Falou dos anjos que eu conheci
No delírio da febre que ardia

Do meu pequeno corpo que sofria
Sem nada entender

Minha mulher em certa noite
Ao ver meu sono estremecido

Falou que os pesadelos são
Algum problema adormecido

Durante o dia a gente tenta
Com sorrisos disfarçar

Alguma coisa que na alma
Conseguimos sufocar

Meu pai tentou encher de fantasia
E enfeitar as coisas que eu via

Mas aqueles anjos agora já se foram
Depois que eu cresci

Da minha infância agora tão distante
Aqueles anjos no tempo eu perdi

Meu pai sentia o que eu sinto agora
Depois que cresci

Agora eu sei o que meu pai
Queria me esconder

Às vezes as mentiras
Também ajudam a viver

Talvez um dia pro meu filho
Eu também tenha que mentir

Pra enfeitar os caminhos
Que ele um dia vai seguir


Ouvindo: Los Hermanos - Traumas

9.3.08

Balada da flor da terra - Vinícius de Moraes



Nem a luz da lua na tarde
Nem a onda do mar quando ela vem
Nem a flor do céu quando se abre
Têm a graça de você

Meu amor
É bonita
É bonita

Ai, que aroma o corpo do meu bem
Ai, que negros são os seus cabelos
Meu bem, não vá mais embora
Não me deixe por favor
Sem meu bem eu me morro
Eu me morro de amor
De amor
De amor

Vem.!?...



Segue comigo, mocinha.
Por este caminho segue, também.
Não pretendo ir sozinho.
Por favor, vem comigo, vem?

Não quero ter medo
Do que tem à frente,
Se o que tem atrás já não vem.
Então, por favor, comigo, segue, também.

O que tem à frente?
Não sei. E você!?
Tu sabe, hein?

Deve ter qualquer coisa.
Mas qualquer coisa em qualquer lugar tem.
Contudo algumas coisas - só algumas coisas -
Lá tem!

Então tu vem comigo?

Então tu vem?

Porém, se se demorar,
Talvez eu vá sozinho
- Não quero.
Assim,
Vem.

Vem.


Ouvindo: Solomon Burke - If you need me

5.3.08


Quando se ama, o ócio, junto à pessoa amada, se torna de todos o ato mais nobre.